Sobre o Carnaval de São Lourenço…
Eu concordo que o centro foi sendo deixado de lado. Mas também acredito que o que realmente enfraquece o Carnaval não é só o lugar — é a falta de continuidade.
O Carnaval sempre foi feito por pessoas. Por quem se comprometia em montar bloco, organizar carro humorístico, ensaiar escola, vender rifa, correr atrás de fantasia. Era trabalho, era dedicação, era amor pela tradição.
Hoje, a nova geração já encontra tudo pronto. Prefere o trio, o show, a praia, a estrutura montada. E não julgo — é atrativo, é mais fácil, é imediato. Mas manter tradição nunca foi fácil.
Vai ficando cada vez mais raro ver adolescentes querendo organizar bloco, manter carro humorístico, sustentar escola. Os blocos acabaram, as escolas enfraqueceram, e junto com isso foi se apagando aquela cultura de colocar a cadeira na praça às dez da manhã de sábado e passar o dia ali, vendo a cidade pulsar.
Eu me criei assim. E faz falta.
Faz falta ver a praça cheia. Faz falta os carros humorísticos — tratores, caminhões, criatividade do povo. Faz falta Duquenzinha, faz falta os bailes. Faz falta o povo no centro.
Não é uma disputa entre praia e centro. Pode — e deve — existir os dois. Como já existiu. Em 2019 tivemos prova de que é possível unir forças. As atuais organizações poderia pensar nisso: fortalecer o centro sem tirar a força da praia.
Porque quando os blocos acabam, quando as escolas fecham, quando só sobra uma resistente tentando manter a chama acesa, a gente precisa se perguntar: quem vai continuar?
A tradição não morre sozinha. Ela deixa de ser alimentada.
Eu gosto dos trios, gosto dos eventos na praia, também vou. Mas sinto falta do que fomos. Sinto falta de ver nossa cultura sendo construída, não só consumida.
Carnaval não é só palco. É pertencimento.
E se a nova geração não entender que tradição também precisa de compromisso, a tendência é que a gente perca cada vez mais aquilo que fez nossa cidade ser diferente.
É triste. Mas ainda dá tempo de valorizar, organizar e reconstruir.
Porque o Carnaval sempre foi do povo.
E cabe ao povo decidir se ele continua vivo ou não.
(Este artigo circula em grupos de Facebook promovendo a reflexão sobre o tema, sem autoria definida)

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