Líderes da Câmara dos Deputados e presidentes de partidos articulam a retomada de uma proposta que prevê mudanças no sistema de escolha dos deputados federais, com a adoção do modelo distrital misto. A discussão ganhou espaço após as eleições de 2026, quando o PL chegou a 121 deputados, formando a maior bancada da Casa desde a Constituinte. Ao mesmo tempo, partidos do Centrão perderam 22 cadeiras em comparação com 2022, alterando a distribuição de forças no Legislativo.
A proposta, defendida pelo presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), prevê a divisão dos estados em distritos eleitorais. Pelo modelo em discussão, metade das vagas seria ocupada pelos candidatos mais votados em cada região, enquanto a outra metade seria distribuída proporcionalmente entre os partidos, conforme listas definidas pelas próprias siglas. A iniciativa ainda está em negociação e enfrenta divergências entre parlamentares. Entre os pontos levantados estão os possíveis impactos sobre a representação de mulheres, negros e partidos com menor presença no Congresso.
A expectativa dos articuladores é avançar na votação da proposta ainda em 2026, com implementação gradual das novas regras. Uma das alternativas em discussão prevê a adoção do sistema distritão nas eleições de 2030 e a entrada em vigor do distrital misto em 2034. O relator da proposta, deputado Domingos Neto (PSD-CE), também deverá tratar dos critérios para a divisão dos distritos, que seriam definidos com base em dados do IBGE. Defensores do modelo apontam a possibilidade de reduzir os custos das campanhas e aproximar os parlamentares das demandas regionais.
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