sábado, 23 de maio de 2026

Produtores de tabaco denunciam preços baixos e articulam mobilização no RS


 A fim de tratar das dificuldades enfrentadas pelos agricultores produtores de tabaco no processo de classificação, compra e comercialização do produto, a Comissão de Agricultura, Pecuária, Pesca e Cooperativismo recebeu, nesta quinta-feira (21/05), a Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra) e a Federação dos Trabalhadores na Agricultura no Rio Grande do Sul (Fetag-RS). Durante reunião na Assembleia Legislativa, o presidente do colegiado, Zé Nunes, criticou a compra do tabaco por um valor inferior ao proposto pelos agricultores e lamentou a ausência do Sindicato Interestadual da Indústria do Tabaco (SindiTabaco).

Diante desse cenário, agricultores produtores de tabaco realizarão um ato na próxima segunda-feira (25/05), em Santa Cruz do Sul, pedindo a valorização do trabalho das famílias produtoras. Ao destacar que o agricultor participa de várias etapas da produção, Zé Nunes afirmou que é preciso reavaliar a remuneração da categoria. “Precisamos respeitar quem produz e realiza essa parte tão difícil. Precisamos caminhar juntos. Se é uma cadeia produtiva, todas as partes precisam ser consideradas. Não dá para ser uma cadeia produtiva em que uma parte aprisiona a outra”, assinalou, acrescentando que as empresas são importantes para a exportação do tabaco.

Representando a Afubra, Carlos Joel da Silva afirmou que a entidade se reuniu com o SindiTabaco e com as indústrias para cobrar respeito e responsabilidade das empresas na compra do tabaco. Ele ressaltou que o preço pago aos produtores pelo quilo do produto está abaixo do apontado em levantamento da Afubra. Também mencionou o caso do tabaco tipo Burley. “Tem produtores que estão vendendo a menos de R$ 14,00 e outros a mais de R$ 14,00. Então, é muito baixo para quem estava vendendo a R$ 23,00 ou R$ 24,00 o quilo no ano passado. A gente entende a questão do mercado e o tamanho da safra, mas está muito nas mãos da indústria”, observou.

A coordenadora da Juventude Rural da Fetag, Camila Rode, afirmou que a mobilização programada para a próxima segunda-feira (25/05) busca reforçar a valorização dos agricultores e pecuaristas familiares. “Estamos buscando reconhecimento pela classificação do tabaco produzido com qualidade pelos nossos agricultores, para que ele possa ser comprado por um preço justo, compatível com o custo de produção. É isso que estamos buscando”, sustentou.

Texto: Felipe Samuel

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