sábado, 10 de outubro de 2026

Tráfego de veículos nas rodovias do Rio Grande do Sul cresce 1,5% no ano, mostra Veloe/Fipe

Fluxo de veículos leves avança 2,8% entre janeiro e setembro, enquanto o de pesados recua 2,7%


O tráfego de veículos nas rodovias do Rio Grande do Sul cresceu 1,5% entre janeiro e setembro de 2026, na comparação com o mesmo período do ano passado, segundo dados do Monitor de Tráfego nas Rodovias, levantamento realizado pela Veloe em parceria com a Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas). O resultado combina comportamentos distintos entre os segmentos: enquanto o fluxo de veículos leves avançou 2,8%, o de pesados recuou 2,7%.

Em setembro, o tráfego total ficou 5,2% acima do registrado no mesmo mês de 2025, com alta de 8,2% dos veículos leves e queda de 4,2% dos pesados.Na comparação mensal, o movimento nas rodovias gaúchas também avançou. Entre agosto e setembro, o índice cresceu 2,0%, após ajuste sazonal. Em termos desagregados, o fluxo de veículos leves subiu 2,8%, enquanto o de pesados recuou 0,9%. Considerando os últimos 12 meses, o tráfego agregado no estado acumulou alta de 2,3%. Nesse intervalo, o fluxo de veículos leves cresceu 3,5%, enquanto o de pesados apresentou retração de 1,8%.

Para Alexandre Fontes, superintendente de Negócios B2C da Veloe, os resultados evidenciam comportamentos distintos entre veículos leves e pesados. “Os leves apresentam variações positivas nas principais comparações, enquanto os pesados ainda registram resultados negativos no ano e em 12 meses. Essa diferença reforça a importância de acompanhar os segmentos separadamente, porque eles podem responder de forma diferente ao ambiente econômico e à dinâmica de mobilidade”, afirma.

Entre os elementos que ajudam a compor o contexto do tráfego leve está a evolução recente do mercado de trabalho. No segundo trimestre de 2026, a taxa de desocupação no Rio Grande do Sul, divulgada pelo IBGE via PNAD Contínua Trimestral, ficou em 4,2%, enquanto o rendimento médio real cresceu 5,2% em relação ao mesmo período de 2025. Os indicadores descrevem um mercado de trabalho relativamente favorável e ajudam a compor o pano de fundo econômico favorável para os deslocamentos e viagens das famílias.

No transporte de cargas, o contexto é mais heterogêneo. Dados de emprego formal mostram diferenças entre os setores, com crescimento dos serviços e retrações na indústria e no comércio no acumulado de 12 meses até julho. O calendário agrícola também ajuda a compor essa leitura: no início de setembro, parte significativa das lavouras de trigo ainda estava nas fases de desenvolvimento, floração e enchimento de grãos, antes da etapa mais intensa de colheita e escoamento. Episódios de instabilidade climática, incluindo granizo e vendavais, também provocaram impactos localizados em áreas produtoras. Esses fatores podem afetar pontualmente a dinâmica logística, mas não é possível mensurar sua contribuição para o resultado do índice.

“Os resultados recomendam uma leitura separada de leves e pesados. O tráfego leve cresce nas comparações mensal, anual e acumuladas, enquanto os pesados permanecem negativos em alguns dos horizontes mais longos. Nos próximos meses, será importante observar se essa diferença entre os segmentos persiste ou se os resultados passam a convergir”, diz Fontes.

Além do comportamento do tráfego, os dados mais recentes da Senatran (Secretaria Nacional de Trânsito), compilados pelo Monitor de Preços nas Rodovias, mostram que o Rio Grande do Sul tinha 8.661.672 veículos em agosto de 2026, o equivalente a 6,5% da frota nacional. O total cresceu 0,2% no mês, 1,6% no acumulado do ano e 2,5% nos últimos 12 meses.Os automóveis representam 57,6% da frota estadual, seguidos por motocicletas (14,7%), caminhonetes (8,3%) e camionetas (4,9%). Os veículos movidos exclusivamente a gasolina correspondem a 43,8% do total, enquanto os que utilizam gasolina e etanol representam 38,4%. O diesel responde por 9,2% da frota, e os veículos elétricos ou híbridos, por 0,6%.A idade média da frota gaúcha é de 20,9 anos. Veículos com mais de 20 anos representam 41,9% do total, enquanto 12,5% foram fabricados nos últimos cinco anos.

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