Pesquisa Datafolha divulgada nesta sexta-feira (3) indica que a parcela de brasileiros que associa a pobreza à "preguiça de pessoas que não querem trabalhar" quase dobrou nos últimos quatro anos, saltando de 22% em 2022 para 40% em 2026.
Os dados fazem parte da pesquisa nacional realizada nos dias 17 e 18 de junho, que ouviu 2.004 eleitores a partir de 16 anos em 139 municípios.
Embora o avanço da tese da "preguiça" seja o maior da série histórica iniciada em 2013, a visão de que a pobreza está ligada à falta de oportunidades iguais para subir na vida continua sendo a majoritária no país, mas registrou queda.
A análise do Datafolha aponta que a visão varia conforme o bolso e a atividade do entrevistado. Curiosamente, o recorte de pessoas com renda familiar de até dois salários mínimos espelha exatamente a média nacional (40% preguiça e 58% oportunidades).
A maior taxa de rejeição à ideia de "preguiça" vem da faixa mais rica. Entre os que ganham mais de 10 salários mínimos, 63% creditam a pobreza à falta de oportunidades.
No critério de ocupação profissional, os extremos se dividem entre empregadores e servidores públicos:
Empresários: 56% acreditam que a pobreza está ligada à preguiça (maior índice entre todas as ocupações);
Funcionários públicos: 28% têm a mesma opinião (menor índice registrado).
Por idade: O abismo geracional é marcante na pesquisa. Os jovens são os que mais associam a pobreza a questões estruturais do país, enquanto os idosos dividem opiniões.
De 16 a 24 anos: 74% citam falta de oportunidades e 22% apontam preguiça.
60 anos ou mais: Há um empate técnico, com 49% associando à preguiça e 48% à falta de oportunidades.

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