segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

Acidente na Zona Sul: carreta estava a quase 100 km/h aponta tacógrafo da PRF

Dados do cronotacógrafo extraídos pela Polícia Rodoviária Federal indicam que ambos os veículos, envolvidos no acidente que vitimou 11 pessoas em Pelotas na última sexta-feira (2), trafegavam entre 95 km/h e 100 km/h momentos antes da colisão. A velocidade representa mais do que o dobro do limite de 40 km/h estabelecido para o trecho devido às obras. A colisão frontal entre a carreta carregada com areia e o ônibus da empresa Santa Silvana na BR-116, deixou ainda 12 feridos. O sinistro foi registrado no quilômetro 491 da rodovia, em trecho com obras. É esperado que a perícia e o início do inquérito sejam estabelecidos nos próximos dias.

O acidente começou quando um caminhão ficou imobilizado na pista após ser bloqueado eletronicamente pelo sistema de rastreamento via GPS. Diferente de uma pane mecânica, o bloqueio travou as rodas do veículo e impediu sua remoção imediata. O desbloqueio do sistema pode levar até 40 minutos e exige a retirada do eixo cardan e a desmobilização do freio.

Equipes da concessionária Ecovias Sul sinalizaram o local, mas uma fila de veículos já havia se formado. O motorista da carreta, segundo seu próprio relato feito durante o resgate, manuseava o rádio do veículo e não percebeu o congestionamento à frente. Ao tentar desviar, invadiu a pista contrária e colidiu com o ônibus que seguia de Pelotas para São Lourenço do Sul.

O impacto fez a carreta tombar parcialmente. Toda a carga de areia foi lançada para dentro do ônibus, invadido pela frente. O material avançou até aproximadamente o banco 13 e soterrou passageiros. Algumas vítimas morreram soterradas. Outras ficaram presas sob a areia ainda com vida, o que tornou o resgate extremamente delicado.

O atendimento mobilizou grande força-tarefa e durou quase 11 horas, das 11h25 às 22h15. Foram utilizados 17 veículos da Ecovias Sul, incluindo ambulâncias, guinchos pesados, retroescavadeira e viaturas operacionais. Também atuaram Samu, Corpo de Bombeiros, PRF e Brigada Militar.

A última pessoa socorrida com vida levou cerca de três horas e meia para ser resgatada. Além da areia, estava com as pernas presas às ferragens. Dois guinchos pesados permaneceram ancorados ao ônibus durante todo o resgate para evitar deslocamento da estrutura, já que o veículo estava posicionado próximo a um talude.

A rodovia ficou totalmente bloqueada durante grande parte do dia, com congestionamentos de até oito quilômetros. Todos os feridos foram encaminhados a Pelotas.

A Ecovias Sul informou que o acidente foi o mais grave em número de vítimas já registrado pela concessionária. A empresa também questionou a segurança de sistemas de rastreamento que permitem o bloqueio de veículos pesados em movimento sobre a pista.

 *Com informações da Assessoria de Imprensa/Via jornal Tradição

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