terça-feira, 11 de novembro de 2025

Tarifaço dos EUA ameaça início da colheita de tabaco e milhões em exportações no RS

 Tarifaço dos EUA ameaça início da colheita de tabaco e milhões em exportações no RS


Em 2024, o país norte-americano foi o terceiro maior comprador no estado, movimentando mais de US$ 245 milhões.

Enquanto produtores do Rio Grande do Sul iniciam a colheita do tabaco com boas expectativas para a safra, o setor enfrenta um desafio que pode comprometer os resultados: a tarifa de 50% imposta pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros.

A medida já afeta diretamente um dos principais mercados do tabaco gaúcho e acende o alerta entre agricultores e representantes da indústria.

A produção nacional no último ano foi de 719 mil toneladas, sendo 303 mil apenas no Rio Grande do Sul, o equivalente a 42% do total brasileiro. Com o clima colaborando, a expectativa é repetir os bons números em 2025.

No entanto, o cenário internacional preocupa, visto que, em 2024, os Estados Unidos foram o terceiro maior comprador do tabaco produzido no estado, adquirindo cerca de 38,4 mil toneladas e movimentando mais de US$ 245 milhões.

Neste ano, antes da entrada em vigor do tarifaço, cerca de 70% do tabaco destinado ao país já havia sido embarcado. Com a nova taxação, parte dos embarques foi suspensa: cerca de 12 mil toneladas já vendidas não chegaram a sair das indústrias.

— O que nós exportamos historicamente para os Estados Unidos é cerca de 9% do volume — revela Valmor Thesing, presidente do Sinditabaco. 

— Mantido o tarifaço, as empresas associadas ao sindicato do tabaco terão um desafio de tentar realocar esses volumes em outros mercados — explica.

Segundo ele, algumas remessas foram retomadas recentemente, mas ainda representam uma fração pequena do que está represado.

Na metade Sul do estado, em municípios como Canguçu, mais de cinco mil famílias dependem da produção de fumo.


— A safra, no geral, parece que vai ser bem melhor, tá boa mesmo. Os produtores se preocupam com o tarifaço da comercialização também, que pode ser o grande problema para nós aqui — afirma o produtor Nilton Pereira. (G1)

Além do impacto imediato nas exportações, há receio de que os preços pagos aos produtores sejam afetados. Marcílio Drescher, presidente da Afubra, destaca que o tabaco do tipo burley (muito consumido pelos norte-americanos) pode ser o mais prejudicado. "Se o tarifaço dos Estados Unidos permanecer em vigor, no futuro isso haverá de afetar, mas principalmente no produtor de tabaco burley, que é o tabaco de galpão", comenta Drescher.

Nenhum comentário:

Postar um comentário